"Grey Gardens", 1976

Vamos colocar mais um pouquinho de cinema aqui! No último semestre precisei assistir esse documentário durante a disciplina Ética e Legislação para apontar algumas relações sobre a ética do fazer cinema com base no livro "Introdução ao Documentário", de Bill Nichols. Gostei tanto de ver "Grey Gardens" que resolvi trazer esse recorte, mais pessoal, do texto que escrevi. Olha aí!



Grey Gardens” é o esboço exato da intimidade de duas mulheres que sobrevivem numa existência baseada na relação oscilante entre amor e ódio. Big Edie (mãe) e Little Edie (filha) se desentendem constantemente, comem juntas, cantam, tecem filosofias sobre a vida e sobretudo falam sobre o passado. Todas as falas envelhecidas - à primeira vista, irrelevantes - indicam, ao que parece, que elas vivam em uma espécie de lugar atemporal - o que é Grey Gardens - sem conceito de tempo, mas bem conceituado como lugar, afinal trata-se de uma mansão abundante em memórias, contadas por Little Edie, e deve ser considerada como uma personagem. A casa possui um aspecto deteriorado, quartos com gatos e guaxinins que circulam livremente, coberta de vegetação, o que nos remete a uma ilha, separada do resto do mundo e com certeza, no psicológico das nossas "atrizes sociais", de fato é. Apesar das ameaças incessantes de Little Edie deixar "Grey Gardens" para seguir sua vida, mãe e filha vivem normalmente e não há queixas sobre as condições de vida imundas a que estão sujeitas. Além disso, a despeito do documentário parecer o retrato de uma grande tragédia, a produção é surpreendentemente divertida pelo modo como Big Edie dá puxões de orelha na filha e essencialmente pela figura de Little Edie e suas expressões de moda fora do comum. Engenhosamente, ela entrelaça vestidos e saias com trajes feitos a partir de materiais encontrados pela casa, como toalhas de mesa ou qualquer tipo de tecido. Seu estilo incomum é acentuado pela variedade enorme de lenços e adereços que usa na cabeça durante todo o filme, o que me deixou sempre a espera da próxima produção inusitada e me fez perguntar se Little Edie tinha, pelo menos, um fio de cabelo na cabeça. Aliás, essa é somente mais uma das muitas questões que não encontrei resposta, do mesmo modo que me perguntei como essas duas mulheres, antigamente ricas, acabaram em tais circunstâncias. Eventualmente Little Edie me responde um outro questionamento: o que a levou a deixar sua vida e permanecer com sua mãe em Grey Gardens?

a marca registrada da aristocracia é a responsabilidade, certo?”.






Ficha Técnica


  • Título Original: GREY GARDENS
  • Realização: David Maysles, Albert Maysles, Ellen Hovde, Muffie Meyer,
  • Ano: 1976
  • Duração: 94 minutos



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